Medidas de segurança tornam parques mais seguros, mas desafios e riscos persistem

Entrar em contato com áreas naturais sempre desperta a sensação de liberdade e aventura. Os parques nacionais atraem quem busca um respiro das cidades, seja em trilhas, mirantes ou esportes outdoor. Mas, como toda aventura, caminhar por essas paisagens envolve riscos que nem toda estrutura é capaz de anular – por mais criterioso que seja o planejamento de segurança nos parques.
Segurança em parques nacionais: limites do planejamento
O recente acidente no cânion Fortaleza, em Cambará do Sul (RS), escancarou a complexidade de administrar espaços naturais visitados por milhares de pessoas todos os anos. Mesmo após o incidente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) avaliou que não existiam falhas generalizadas de segurança ou sinalização no local. Isso mostra que, apesar de todo o esforço das concessionárias e equipes de resgate, ambientes como esses continuam imprevisíveis.
Os administradores dos parques se apoiam em protocolos robustos, como o Protocolo Operacional de Visitação, que detalha desde os horários de funcionamento até orientações sobre trilhas, sinalização ao longo do caminho, uso de equipamentos de segurança e regras para visitantes. Áreas mais perigosas trazem alertas visíveis e, em pontos estratégicos, equipes especializadas – caso de bombeiros civis preparados para agir rapidamente em emergências.
Mesmo assim, o fator natural é incontrolável. Penhascos, trilhas de solo instável, mudanças repentinas no tempo e comportamento diverso de visitantes criam um cenário onde o risco nunca é completamente zerado.
O papel das normas técnicas e das concessões privadas
Boa parte dessa evolução em segurança se deve à regulamentação do setor de ecoturismo e do chamado turismo de aventura. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), há hoje 44 normas técnicas específicas, algumas adotadas internacionalmente, como a ISO21101, descendente direta de uma norma brasileira.
Essas regras tratam desde a comunicação do risco ao consumidor até a exigência de sistemas de gestão de segurança bem definidos nos contratos entre parques públicos e empresas privadas que operam atividades. Hoje, 11 dos 75 parques nacionais contam com esse modelo de parceria, o que levou o ICMBio a tornar obrigatória a adoção de medidas rigorosas para proteger turistas e trabalhadores.
Essas ações vão desde o incentivo à contratação de guias turísticos cadastrados, principalmente em trilhas consideradas intermediárias, ao uso de equipamentos obrigatórios em estruturas específicas. Ao mesmo tempo, os contratos exigem que qualquer mudança nos protocolos (como instalação de novos sistemas de proteção) tenha aprovação do órgão federal responsável.
Turismo de aventura e responsabilidade compartilhada
Fazer trilhas, remar rios ou voar de tirolesa: experiências intensas em cenários naturais sempre estarão ligadas a perigos inerentes. Não há fórmula capaz de zerar completamente as estatísticas de acidentes.
O que muda, de fato, é a maneira de lidar com esses desafios: parques nacionais contam com fiscalização frequente, equipes treinadas e estruturas vistoriadas periodicamente, diferente de passeios realizados em áreas privadas ou sem controle governamental.
Apesar dos avanços, boa parte dos riscos decorre do comportamento de quem visita esses destinos. Desatenção, pressa, desrespeito a alertas visuais ou à presença de guias aumentam a chance de um passeio acabar mal – algo que normas e placas sozinhas não podem evitar.
Desafios fora das unidades de conservação
A rigidez das regras nos parques nacionais contrasta com a falta de controle no turismo de aventura informal. Fora das áreas sob responsabilidade do ICMBio, a fiscalização é frágil e, muitas vezes, o preço acessível pesa mais que a preocupação com segurança para muitos turistas.
Nesse contexto, o Brasil vem trabalhando para manter um equilíbrio: preservar a sensação de liberdade no contato com a natureza, sem abrir mão de regras claras e estruturas bem planejadas para tornar a visita o mais segura possível.
Ficou curioso sobre outras novidades e discussões importantes sobre tecnologia, lazer e cidadania? Continue navegando no portal e explore nossos outros conteúdos!
Fonte: Agência Brasil