Seguro auto: o que realmente vale comparar antes de contratar ou renovar

Seguro auto: o que realmente vale comparar antes de contratar ou renovar
Imagem: Ilustração GPT Imagens
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Quando chega a hora de contratar ou renovar o seguro do carro, é natural começar pelo preço. Afinal, duas cotações podem apresentar uma diferença considerável e ninguém quer pagar mais sem necessidade.

O problema aparece quando a comparação termina aí.

Uma proposta de R$ 2.800 por ano e outra de R$ 3.400 podem parecer semelhantes à primeira vista, mas talvez ofereçam franquias diferentes, limites distintos para danos causados a terceiros, assistência com quilometragem limitada ou condições específicas para carro reserva. Nesse caso, olhar apenas para os R$ 600 de diferença pode esconder justamente o que mais importa.

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Seguro auto é um contrato. Por isso, a comparação mais segura começa entendendo exatamente o que está sendo contratado e em quais situações aquela proteção poderá ser utilizada.

Comece pelas coberturas, não pelo valor final

Nem todo seguro auto oferece o mesmo conjunto de proteções.

Há produtos mais completos e outros voltados a riscos específicos. Dependendo da contratação, podem existir coberturas relacionadas a colisão, roubo, furto, incêndio, eventos naturais, danos causados a terceiros e acidentes envolvendo passageiros.

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Isso significa que duas propostas chamadas simplesmente de “seguro auto” podem ser bastante diferentes.

Antes de comparar preços, vale colocar as coberturas lado a lado.

Uma maneira prática é responder a algumas perguntas:

O próprio carro está protegido em caso de colisão?

Roubo e furto estão contemplados?

Existe cobertura para danos materiais causados a terceiros?

E para danos corporais?

Há proteção para vidros, faróis ou retrovisores?

Quais situações aparecem entre as exclusões do contrato?

Quando essas respostas estão claras, o preço começa a fazer mais sentido.

Danos a terceiros merecem atenção especial

Essa é uma das partes do seguro que pode ser subestimada durante a contratação.

O motorista costuma pensar primeiro no valor do próprio veículo. Só que uma colisão pode envolver outro carro, uma motocicleta, um imóvel ou até despesas relacionadas a pessoas atingidas pelo acidente.

Imagine uma batida envolvendo um automóvel de valor elevado. Mesmo que o dano no carro do segurado seja relativamente pequeno, o prejuízo provocado ao terceiro pode ser muito maior.

Por isso, não basta perguntar se existe cobertura para terceiros. Também é importante observar os limites contratados.

Duas propostas podem incluir esse tipo de proteção e, ainda assim, oferecer valores máximos bastante diferentes.

Essa análise exige alguns minutos a mais, mas ajuda a evitar uma situação difícil: descobrir depois do acidente que o limite contratado era muito inferior ao prejuízo causado.

Franquia baixa nem sempre significa seguro melhor

A franquia é outro ponto que precisa entrar na comparação.

De forma simplificada, ela representa a parcela de determinados prejuízos que ficará sob responsabilidade do segurado nas situações previstas no contrato.

É comum encontrar opções de franquia reduzida, normal ou ampliada. O nome e as condições podem variar conforme seguradora e produto.

Uma franquia menor pode ser interessante para quem deseja reduzir o desembolso caso precise reparar o próprio carro. Por outro lado, essa escolha pode alterar o preço do seguro.

Já uma franquia maior pode diminuir o prêmio em algumas situações, mas aumenta o valor que o proprietário precisa ter disponível se ocorrer um sinistro coberto sujeito à franquia.

Não existe uma escolha universalmente melhor.

Quem possui uma boa reserva financeira pode chegar a uma conclusão diferente de alguém que teria dificuldade para desembolsar alguns milhares de reais de uma vez.

O erro é escolher sem olhar os dois lados da conta.

Compare propostas equivalentes

Ferramentas de cotação ajudam bastante, mas o resultado precisa ser interpretado.

No Brasil, serviços como o compareemcasa podem ser utilizados durante a pesquisa de opções disponíveis. O ponto principal é garantir que as propostas analisadas estejam suficientemente próximas em coberturas, limites e serviços.

Se uma cotação inclui carro reserva por vários dias e outra não oferece esse benefício, a diferença de preço deixa de ser uma comparação direta.

O mesmo acontece quando uma oferece limite maior para terceiros, proteção adicional para vidros ou condições diferentes de assistência.

Comparar seguro é um pouco parecido com comparar passagens aéreas. O preço isolado diz alguma coisa, mas não diz tudo. Bagagem, horários, escalas e regras de alteração podem transformar duas ofertas aparentemente semelhantes em produtos bem diferentes.

No seguro, acontece o mesmo com coberturas, franquias e serviços.

Assistência 24 horas pode fazer diferença justamente quando você menos espera

Muita gente contrata seguro pensando apenas em colisão, roubo ou furto. Depois de alguns anos sem um sinistro grave, pode surgir a sensação de que determinados serviços nunca serão utilizados.

Até o dia em que o carro não liga.

Pane elétrica, bateria descarregada, pneu furado, perda de chave ou necessidade de guincho estão entre as situações capazes de transformar um dia comum em algumas horas de transtorno.

Por isso, vale conferir o que realmente está incluído na assistência.

Existe limite de quilometragem para o guincho?

O serviço atende pane mecânica e elétrica?

Há chaveiro?

Existe auxílio para troca de pneu?

O atendimento está disponível em todo o território necessário para a rotina do motorista?

Essas condições não devem ser presumidas. Precisam ser verificadas na proposta e nas condições contratuais.

Para quem viaja com frequência ou utiliza o carro profissionalmente, essa parte pode pesar tanto quanto algumas coberturas mais lembradas.

Carro reserva merece uma leitura mais cuidadosa

“Tem carro reserva” parece uma informação suficiente, mas nem sempre é.

É melhor perguntar: por quantos dias?

Também vale conferir em quais situações o benefício pode ser acionado e quais são as regras para utilização.

Imagine alguém que depende do veículo diariamente para visitar clientes. Ficar cinco dias sem carro pode significar uma despesa considerável com transporte alternativo.

Para outra pessoa, que trabalha em casa e utiliza pouco o automóvel, o mesmo benefício talvez tenha importância menor.

O seguro adequado depende bastante da rotina.

É por isso que copiar exatamente a apólice de um parente ou amigo nem sempre funciona. Dois motoristas com o mesmo modelo de carro podem ter necessidades completamente diferentes.

Indenização integral também precisa ser entendida

Outro ponto que costuma passar rapidamente durante a contratação é a forma de cálculo de uma eventual indenização integral.

No mercado brasileiro existem modalidades em que o valor está relacionado a uma referência de mercado indicada no contrato, normalmente acompanhada de um fator de ajuste, e outras em que um valor determinado é estabelecido previamente.

Para o consumidor, o importante não é decorar termos técnicos. É saber responder a uma pergunta simples:

Se acontecer uma situação coberta que resulte em indenização integral, como será calculado o valor recebido?

Essa resposta precisa estar no contrato.

Também é recomendável entender quais documentos poderão ser exigidos e quais situações podem interferir no processo de indenização.

Ler essa parte apenas depois de um sinistro é muito mais desagradável do que esclarecer as dúvidas antes de contratar.

O perfil informado na cotação precisa refletir a realidade

O preço do seguro não depende apenas do modelo do carro.

Informações sobre utilização, local de circulação, condutores e outros fatores podem fazer parte da avaliação do risco.

Por isso, tentar reduzir artificialmente o preço fornecendo informações que não correspondem à realidade é uma péssima economia.

Se a seguradora pergunta quem dirige o veículo, onde ele costuma permanecer ou qual é sua forma de utilização, a resposta precisa ser verdadeira.

O mesmo cuidado vale na renovação.

A rotina pode mudar de um ano para outro. Uma pessoa começa a trabalhar presencialmente, muda de endereço, passa a compartilhar o carro com outro integrante da família ou altera significativamente a forma como utiliza o veículo.

Renovar automaticamente sem revisar os dados pode fazer com que informações antigas continuem no contrato.

A renovação é uma boa oportunidade para pesquisar novamente

Ter ficado satisfeito com uma seguradora não significa que seja obrigatório trocar de empresa todos os anos. Também não significa que a renovação deva ser aceita automaticamente.

O ideal é usar aquele momento para revisar a própria necessidade.

O carro perdeu valor?

A utilização mudou?

É necessário aumentar o limite para terceiros?

O carro reserva continua fazendo sentido?

A franquia escolhida no ano anterior ainda combina com o orçamento?

Também vale pesquisar novamente o mercado.

Na Argentina, por exemplo, plataformas como o comparaencasa permitem iniciar uma pesquisa por alternativas disponíveis naquele mercado. A lógica de comparação continua sendo a mesma: uma cotação só é realmente útil quando se entende o que está incluído em cada opção.

O menor número apresentado na tela pode ser uma boa oferta. Mas ele só pode ser chamado de bom negócio depois que as condições forem analisadas.

Verifique também quem está oferecendo o seguro

Preço e cobertura não são os únicos pontos relevantes.

No Brasil, a Superintendência de Seguros Privados, a Susep, mantém serviços de consulta que permitem verificar informações sobre empresas supervisionadas e autorizadas a operar.

Essa checagem merece entrar na rotina, principalmente quando a oferta chegou por um canal desconhecido ou apresenta condições muito abaixo do restante do mercado.

Golpes costumam explorar justamente a pressa e a busca pelo menor preço.

Uma proposta atraente enviada por mensagem não deveria receber menos atenção do que um contrato apresentado presencialmente. Antes de pagar, é recomendável confirmar a empresa, os canais oficiais e os dados da contratação.

Faça uma comparação que caiba em uma folha

Não é necessário dominar seguros para tomar uma decisão melhor.

Uma tabela simples já resolve boa parte do problema.

Coloque cada proposta em uma coluna e compare:

valor anual;

forma de pagamento;

coberturas do próprio veículo;

limites para danos a terceiros;

franquia;

assistência 24 horas;

limite de guincho;

carro reserva;

vidros e outros adicionais;

forma de indenização integral.

Quando essas informações aparecem lado a lado, certas diferenças de preço ficam muito mais fáceis de entender.

Às vezes, a proposta mais barata continuará sendo a melhor opção. Em outras situações, pagar um pouco mais poderá trazer uma cobertura que faz bastante sentido para aquela rotina.

O importante é saber por quê.

Seguro auto não é uma compra que precisa ser complicada, mas também não deveria ser decidida apenas pela última linha da cotação. O preço mostra quanto será pago. As condições mostram o que, de fato, está sendo comprado.

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